quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O Pipoqueiro (Por Lua)



Se instalando lentamente
Foi, enfim, decretada
A loucura generalizada
Ou a normalidade proclamada

Os nascituros caóticos
Vislumbram um futuro vazio
Sentados em bancos frios de igreja
Ou ostentando lixo

Mas do útero dos excluídos
Nos restos mortais da noite
Personifica-se a inocência agonizante
Com cheiro de uma infância
Onde o caos social
Era apenas o futuro óbvio

fazendo-nos crer que o remédio é doce
E o tempo, inexorável
Descortina a realidade,
diluindo a lembrança
De uma ingênuidade  cadavérica
Em um gole
Da aguardente destoante

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O rio da alma ( Por Thaís Azenha)




Mesmo sem a certeza do que pertence a mim
ou ao meu feitio,
Incansavelmente, dispenso a passividade.

Evito persistente a inconstância do fim,
sombrio,
Sorrateiramente desafio a saudade.

Certa de que tudo o que é marcado há de vir,
tal o rio,
Indubitavelmente, afogo a alma que luta por liberdade.

As panquecas ( Por Thaís Azenha)







Todos são propícios a doenças.
Você e eu. Ela, ele ou você.
Me peguei em mais um dilema.
 Conto ou não conto?
Contaria por respeito, sei lá, por achar que estaria sendo justa.
 Mas o fato é:  estaria mesmo?
Dúvidas a me rondar e torturar.
 Acho que a notícia é minha.
E Raul já dizia que valia a pena ser egoísta.
Embolo como uma panqueca e levo comigo pra sempre.
Ninguém gosta mais de panquecas.
E talvez eu seja só mais uma "canceriana" sem lar.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

— Me vê uma companhia errada, por favor. (Thaís Azenha)






— Me vê uma companhia errada, por favor.

Quando é que estamos com as pessoas certas? Todas as vezes que coloquei minhas mãos no fogo por pessoas que considerei certas, queimei o braço todo. Me vejo ridícula no tempo em que filtrava minha companhias pelos bons modos, mas, no fundo foi ótimo; Só assim percebi que as pessoas vivem como ovos, protegidas por uma casquinha que querem mostrar, mas por dentro, são todas iguais, todas tem um lado amigável e egoísta, um lado angelical e um lado diabólico. As pessoas são cascas. Todas vulneráveis à tudo. Muitas vezes me coloco na posição de “má companhia” na visão da minha família. Talvez eu seja a companhia que eles não querem que eu ande, e isso é resultado de vivência. Tudo bem, eu não passei nem dos meus 25 anos de vivência, mas as escolhas que tomei me deixaram velha. O que é o certo nos dias de hoje? Tudo está numa balança. O certo e o errado não passam de questão de opinião, tudo é julgado pelo ângulo em que é visto. Ah, as companhias… Morro de medo de ser a melhor companhia, isso atrairia muitas pessoas, e quanto mais pessoas, mais chances de se complicar. Morro de medo de ser a pior companhia, pois isso afastaria muitos, e como uma pessoa sozinha vive? Não vive, sobrevive. A guerra interior é uma das piores que pode haver pois não há escudo para buscar, é o nosso eu contra si mesmo. 
Quero fugir de qualquer tipo de guerra. Ultimamente tive guerras amorosas, familiares e interiores (essas que citei são as piores), todas elas deixam marcas que escudo nenhum é capaz de evitar. Fugindo de todas elas estou, mas fugir sozinha é se atirar pro nada. Procuro por companhias. “Garçom, me vê uma má companhia para atrasos e uma boa companhia para seguir em frente.”— Prefira Borboletas

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Escuta-me (por Lua)



Enquanto lá fora os espelhos se partem, escuta por favor o meu abraço, que sai detrás da máscara que me cala gritando o amor aprisionado no coração de gelo, agora derretido, pingando as lágrimas que eu queria chorar e não consigo porque a máscara que ostento é blindada, feita para fazer com que os sentimentos me corroam por dentro.
Escuta meu abraço porque ele é a única coisa que me restou.

Insones conversas (Por Lua)



Insones conversas desencaminhadas
Que mudam a vida e não levam à nada
Só eu e você enquanto a noite vira madrugada
Eu, você e nossa vida em pauta
Soluções na bandeja
Teoria musicada

O amanhecer transforma
Os garranchos em vida
jogando no lixo a certeza lírica
Da poetisa que se conscientiza
Que só o que sabe
É tornar arte
Palavras difíceis
Que nunca sentiu

Triste essa artista
Que fez do papel
Seu coração
Triste essa artista
Que recebeu o dom
De emocionar
Sem emoção

Insones conversas desencaminhadas
Que mudam a vida e não levam a nada
Que tentam viver e se perdem na estrada

É nas falácias da madrugada
O único momento em que me encontro
Desarmada
E eu, menina, sempre tão desalmada
Assumo que tudo não passa de medo
De não ser amada

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Sobrevivendo (Por Lua)

E eu sobrevivia intensamente naquela liberdade doente de múltiplos sorrisos e lágrimas cristalizadas que tornavam-se estrelas a cada lua que passava.