terça-feira, 20 de novembro de 2012

Utilidade Pública: A Cerveja, a Moral e os Bons Costumes (Por LUA)


Em minha última postagem (http://www.cervejasetal.blogspot.com.br/2012/11/utilidade-publica-cervejas-em.html) mencionei uma cerveja incrível, praticamente encantada,  feita com água sem poluente algum, congelada há mais de dois mil anos atrás. Na ocasião conversei com algumas amigas e decidimos partir, mala e cuia, rumo à Dinamarca, onde já foram consumidos mais de 70 mil litros desse líquido precioso.

Ingenuidade da nossa parte, Dinamarca é para amadores, o lance agora é ir para Austría. Lá tem um delicioso apfestrudel e bichinhos bonitinhos como texugo, cabra da montanha, a garça real púrpura e, o que eu achei mais legal, camurça, que é um capríneo e não apenas um tecido bonitinho pra fazer bolsas, casacos e sapatos.
 
Essa é a camurça:
 
 

Além de tudo isso, a Austría é o berço de caras bem inteligentes, como Mozart, Strauss, Freud e Kafka. Mas inteligente mesmo é um austríaco maluco, que deixou esses caras todos no chinelo quando inaugurou um hotel chamado Starkenber Beer Myth.

Tenho certeza que, mesmo que você não fale nada em inglês, entendeu a palavrinha do meio, e é isso mesmo que você está pensando. Trata-se um resort austríaco, em torno do castelo medieval de Starkenberger na região do Tirol da Áustria que oferece aos hóspedes a oportunidade de nadar em uma piscina com 42.000 litros de cerveja GELADA.


Se estávamos achando que íamos nos dar bem na Dinamarca porque lá a população já consumiu mais de 70 mil litros de cerveja, mesmo que seja uma cerveja toda cheia de frescura, imagine agora você, sozinho (ou muito bem acompanhado) dentro de uma piscina com 42 mil litros de cerveja. Não quero saber se tem ouro, renda ou lantejoula na cerveja, eu quero mesmo é beber. Beber, nadar e ainda limpar a pele, cicatrizar feridas e combater várias doenças. Bom, pelo menos é o que está na propagando no tal Resort. Independente de sairmos ou não de lá com a pele limpinha, sairemos bêbados, com certeza. São sete piscinas com 42 mil cada uma, somando 294 mil litros de cerveja.

Nessas piscinas você paga cerca de 135 euros (aproximadamente R$ 343,00) e pode “nadar” por duas horas. Aí vem o proprietário e me diz, na cara-de-pau, a ponto de levar uma voadora na cara, que a cada sessão dessas de duas horas, a cerveja da piscina é trocada. Veja bem, o dia tem 24 horas. Se a piscina funcionar  apenas 12 horas por dia, pra jogar baixo, são 6 sessões vezes 7 piscinas.

6 sessões de 42.000 litros cada uma = 252.000 litros

252.000 litros x 7 piscinas – 1.764.000 litros de cerveja desperdiçados.

Vou escrever por extenso para dar um toque dramático: Um milhão, setecentos e sessenta e quatro mil litros de cerveja desperdiçados por dia. Nem vou multiplicar por 365 dias pra não morrer de ataque cardíaco agora mesmo.

Desde pequena, aluna de colégio católico que fui, aprendi que desperdício é pecado. Não sou muito chegada nesse lance de pecado (curto apenas a luxúria, a preguiça e a gula) então digo: NÃO AO DESPERDÍCIO.
 
 

Lembram-se que no texto sobre a tal cerveja de Ice Berg eu defendia a natureza, falava do aquecimento global e tudo? Mesma coisa agora. Só que em vez de defender a natureza vamos defender  os padrões de conduta da nossa sociedade, dita civilizada, desenvolvidos com o intuito de podermos viver com um mínimo de civilidade (que merda é essa?). Então em nome desses padrões, constituídos pela moral e bons costumes, bora lá, rumo à Austría, dar um basta nesse desperdício. Alguém tem que beber a cerveja desprezada e eu, altruísta que sou, gosto de me sacrificar em prol de causas nobres. Me sacrifico em nome da moral e dos bons costumes!!

E você aí? Vai ver isso tudo e ficar de braços cruzados? Um milhão e caralhada de litros de cerveja é demais até pra mim, ajuda aí!!! Simbora pra Austría!!

 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Utilidade Pública: Cervejas em extinção!(Por LUA)


Sempre gostei desse papo natureba, de meio ambiente, plantinhas, bichinhos e tal. Adoro uma cachoeira, fazer uma trilha, me encanto com um pôr do sol. Sobre a Lua então nem preciso dizer. Um passarinho cantando, uma borboleta azul, arco-íris, casa de João-de-barro, tudo isso me encanta. Não jogo lixo no chão, quem já entrou no meu carro que o diga. Guardo o óleo em garrafas P.E.T e levo para o local apropriado (uma gota de óleo jogado displiscentemente na pia pode contaminar até mil litros de água). Valorizo a reciclagem. Acho importante essa conscientização e me orgulho de dizer que muitos dos meus amigos seguem essa mesma tendência. É claro que sempre tem aqueles rebeldes que não se importam, mas agora tenho certeza que conseguirei ganhar adeptos para a causa ambiental.

Esqueçam os ursos polares, as tartarugas marinhas, as araras azuis, onças pintadas, o pica-pau da cara amarela, a baleia da Groelândia. Esqueçam a Amazônia e o Cerrado que podem desaparecer até o final desde Século, esqueçam essa porra toda e se concentrem no que realmente importa.
 

Todo mundo fala sobre o aquecimento global, que é o aumento da temperatura média dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra. A maior parte do aumento dessa temperatura foi causada pelas concentrações crescentes de gases do efeito estufa, como resultado das idiotices humanas como a queima de combustíveis fósseis e a desflorestação. Esse calor desesperador que vínhamos sentindo aqui no Planalto Central só não era maior por causa de outra idiotice humana, que causou o aumento de aerossóis atmosféricos que bloquearam parte da radiação solar causando o escurecimento global, mascarando, assim, os efeitos do aquecimento global.

O Aquecimento Global tem e terá efeitos não só no meio ambiente como na saúde humana e na economia, mas o que faz tremer de medo é saber que a minha preciosa cerveja está ameaçada pelo Aquecimento Global, que a partir deste momento passe a ser um vilão mais temível que Lord Valdemort, pior que a Bruxa Má do Oeste.

O Instituto de Água e Pesquisa Meteorológica Neozelandês divulgou um relatório que aponta que grande parte dos cultivos de cevada na Oceania será destruída. Além disso a revista New Scientist revelou que o aquecimento da Terra está reduzindo a quantidade de ácido alpha no “saaz”, que é uma variedade delicada de lúpulo usada na produção das cervejas pilsen e lager. Os especialistas garantem, ainda, que apesar de o estudo ter sido feito com esse tipo específico de lúpulo, outras espécies também estão ameaçadas.

Desde que li esse artigo passei a ter pesadelos onde eu andava de bar e bar e não tinha nada para beber, e ficavam vários zumbis loucos por um último gole andando pra lá e pra cá, sem rumo, sem sono, sem dinheiro, sem cerveja. Algo como o que vemos na Praça da CNF altas horas da madrugada, depois que o Paulinho resolve fechar o bar. Acordo desses pesadelos sentindo dor de cabeça, náusea, sede, são mesmo terríveis, embora eu tenha uma certa esconfiança que esses sintomas tenham alguma relação qualquer com a noite anterior.

Bêbados de todo o mundo, uni-vos em prol da proteção ao meio-ambiente para não ficarmos como zumbis sedentos. Como imaginar nossos filhos e netos vivendo em um mundo sem cerveja?

Mas enquanto isso, só pra não perder a diversão, podemos beber a maravilhosa CERVEJA DO AQUECIMENTO GLOBAL. É isso mesmo, A microcervejaria The Greenland Brewhouse, localizada a apenas seiscentos quilômetros do círculo polar ártico, é de fato a primeira a faturar com o derretimento das calotas polares. Eles estão usando icebergs derretidos para fazer a cerveja mais pura do mundo, com a água que foi congelada há mais de 2 mil anos, sem poluentes. A Dinamarca já consumiu mais de 70 mil litros desse manjar dos deuses. (Pela primeira vez cogitei a idéia de ir conhecer a Dinamarca)
 

Antes que ambientalistas mais radicais gritem, a página da empresa na internet diz logo: “Estamos absolutamente conscientes do aquecimento global e é muito importante que não destruamos o gelo único dentro da Groelândia, mas apenas utilizemos o gelo que já se soltou”.

Então é isso. Sentindo-me ecologicamente correta, pergunto: quem vai entrar na vaquinha pra gente importar essa iguaria?