terça-feira, 25 de junho de 2013

Manifesto de uma Policial Militar


Sou mãe, funcionária pública, carioca, tatuada, rockeira, contribuinte. Já fui uma cara-pintada, protestei, ergui cartazes. Hoje, em 2013, também participo dessa manifestação, mas não do mesmo jeito. Concordo e torço para que todo esse protesto mude de fato alguma coisa. Sofro (e pago) com os altos impostos, com a corrupção e toda essa roubalheira que assola nosso país. Até anulei meu voto nas duas últimas eleições como forma de protesto. Já fui estudante, já fui universitária, aliás passei um tempão estudando para passar em um concurso e passei. Hoje sou Policial Militar e me orgulho disso porque foi uma conquista, mesmo não sendo o que eu idealizava para a minha vida, nunca havia me passada pela cabeça ser policial, mas graças a Deus passei, tirei meus piercings, e hoje sustento minha família, tenho a tão almejada estabilidade. 
            Na polícia, fui professora de Mediação de Conflitos, fui relações públicas, trabalhei na equoterapia, fui até a faixa de pedestre para ensinar regras de trânsito para criancinhas. Sempre tentei fazer a diferença, mas hoje monto meu cavalo e sou mais uma policial no meio dos milhares que trabalham nessas manifestações. Deixo de ser eu e me torno a cavalaria.
            Enquanto eu estava montada no meu cavalo tentando impedir que manifestantes invadissem o Congresso Nacional, vocês gritavam: “Ei, fardado, você também é explorado”. Como se eu não soubesse disso. Eu sei, claro que sei. Sou, como todos os trabalhadores, todos os assalariados neste país. A situação não está fácil para ninguém.
            Quarta-feira, dia 26 de junho,será a marcha dos Cem Mil e é também o dia do meu aniversário. Eu não queria estar lá, pelo menos não trabalhando (quem é que quer trabalhar no dia do aniversário?). Estarei longe da minha família, do meu marido, dos meus filhos, não poderei nem receber um abraço de feliz aniversário. Minha mãe estará chorando, aliás, já está desde ontem, porque sua filhinha caçula estará lá se arriscando ao invés de estar comemorando. Se eu pudesse eu estaria com eles, ou até mesmo lá me manifestando como vocês, mas não posso porque o fim do mês está chegando e eu preciso levar comida para casa.
            Não vou negar que entre os policiais podem ter aqueles mais exaltados, até violentos, mas não são todos. Assim como no meio dos manifestantes também tem aqueles que são exaltados e violentos, que jogam coquetel molotov e garrafas na cabeça do meu parceiro, que estava do meu lado quando foi atingido, mas não são todos os manifestantes que são assim. Quem dera todos os policiais, no universo de 17 mil, fossem sensatos e profissionais. Quem dera todos os manifestantes fossem pacíficos e tivessem um objetivo definido, quem dera todas as pessoas fossem boas, quem dera não houvesse assassinos, ladrões, corruptos. O que eu quero dizer é que não podemos julgar, generalizar, rotular.  Sou policial estou do lado de vocês, não quero que vocês desistam e me entristeço com a falta de possibilidade de eu também fazer um cartaz e mostrar minha indignação. Me estristeçe também ver que por causa de algumas pessoas que realmente não se importam, depredam, agridem, podemos perder uma oportunidade única na história. Oportunidade mudarmos o rumo do nosso país.
            Estive lá, estarei lá amanhã também. Vocês podem até achar que o soldado está do lado errado, mas meu coração está do lado de vocês. Do lado dos manifestantes que realmente tem algo a dizer.
            Sei que quarta-feira será o meu aniversário e de presente só espero não levar nenhuma pedrada, nenhuma garrafada. Sei que minha mãe estará chorando, meus filhos estarão tristes, meu marido estará pensando em mim e eu estarei querendo fazer qualquer outra coisa, que será melhor do que ficar parada por horas e horas em cima de um cavalo, com o pescoço a prêmio.
            Sei que de presente espero que o sacrifício do dia do meu aniversário sirva para que alguma coisa mude de verdade. Quero de presente ver manifestantes de verdade, com ideais, com sonhos, se sobrepondo aos baderneiros pois esse é único jeito de mudarmos algo.
            E Que Deus me dê discernimento para saber quem é quem no meio de milhares de pessoas, para não errar, para não deixar o medo (sim, eu sinto medo) guiar meus atos. E que no final de tudo isso, com um país transformado, um povo feliz, eu possa tomar uma cerveja com meus familiares e amigos. Tanto aqueles amigos que conheci nesses 11 anos de profissão, quanto aqueles amigos que estão lá carregando cartazes e fazendo aquilo que eu não posso fazer.

                                                                                                               

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Origamis para a criançada (Por LUA e meu Solzinho)


Eu começei a fazer origamis com 9 anos de idade e de lá pra cá não parei mais. Meu filho de 7 anos recentemente se interessou pela arte e eu, sem perder tempo, saí pesquisando origamis que ele pudesse fazer sozinho.



Cigarra




Morsa

 

            Brinquedos recicláveis (Por LUA)

            Resovi decorar minha casa com reciclagem. Reciclei uma cõmoda, uma gaveta, latas de tinta...mas o melhor dessa história toda é ver meus dois anjinhos querendo reciclar qualquer coisa que encontram. Uma caixa de sucrilhos vira guarda-roupa da Barbie, um monte de latas viram trenzinhos... Bom, vou ficar pesquisando brinquedos feitos de material rweciclado para fazer um acada final de semana e, como diz minha filhota de 4 anos: SALVAR O PLANETA!!


                                                             Balsa de rolhas e retalhos de tecidos

            balsa-de-rolhas-e-retalho-de-tecidos.jpg
             
             
            PREGADOR ANIMAL

            As brincadeiras na piscina, praia, baldes no quintal de casa, ficarão mais divertidas com essas balsas feitas apenas com rolhas de garrafa, palitos de madeira, elásticos e retalhos de pano.

            Pregador Animal
            (Predadores articulados, do
            site Estéfi Machado)


            Material
            pregadores de roupa
            cartolina branca
            Canetas coloridas ou lápis de cor
            tesoura
            cola bastão ou cola quente

            Eu usei E.V.A em vez de cartolina

            Como fazer
            Desenhe o animal de sua preferência em uma folha de cartolina branca e corte seu formato. Faça uma fissura ao meio e na horizontal e cole cada parte em um dos lados do pregador. O animalzinho menor que faz o papel de isca na brincadeira deve ser colado por trás e na parte de baixo.

                                                                                    


                                                                                        Vai e Vem

            Vai e vem feito com garrafas pet.


            Para fabricar o vai e vem você irá precisar de:

            - 2 garrafas de refrigerante;
            - tampas de xampu, materiais de limpeza, botões;
            - 2 fios de varal de 1,5 cada;
            - tesoura (peça ajuda de um adulto);
            - fita adesiva.

            Montando o vai e vem:

            Com a ajuda de um adulto, corte as garrafas de refrigerante ao meio e separe a metade que ficou com o gargalo. Em seguida, passe os dois fios de varal pelo gargalo de uma das garrafas. Pegue a outra garrafa e passe o mesmo fio de varal, mas dessa vez coloque-o da metade em direção ao gargalo. Coloque as tampas e botões dentro das garrafas e com a fita adesiva cole as duas metades. Você pode enfeitar como quiser o seu mais novo brinquedo, que necessita da participação de duas crianças, cada um em uma ponta do brinquedo.


             

                                                                      Fazendo um balão
             
             

            Balão feito com jornal.



            Para fazer o balão você irá precisar de:

            - 1 balão de qualquer cor;
            - jornal;
            - cola branca;
            - barbante;
            - fita crepe;
            - 1 caixa pequena, pode ser de leite.

            Montando o balão:

            Em primeiro lugar você terá que encher o balão. Depois pegue o jornal e rasgue-o em tiras. Coloque algumas tiras em cima do balão, e vá colando, com a cola branca, outras tiras por cima. Mas cuidado, você não pode colar as tiras de jornal diretamente no balão. Depois de ter colado várias camadas de jornal, espere secar. Depois de seco, estoure o balão e retire-o de dentro do balão de jornal. Corte quatro pedaços iguais de barbante de mais ou menos 20 cm cada e, em seguida, com a fita adesiva, cole uma das pontas no balão de jornal. Cole as outras pontas do barbante na caixinha. Decore o balão e a caixinha do jeito que quiser e já pode sair para brincar.

             

            sexta-feira, 14 de junho de 2013

            Manifestação na Esplanada (Por Lua)


            O grupo queimou pneus diante do Estádio Nacional Mané Garrincha - Iano Andrade/CB/D.A Press
             
            Cerca de 250 manifestantes fecharam o Eixo Monumental durante o prostesto - Mirelle Pinheiro/CB/D.A Press
             
            Manifestantes marcham até a Praça do Buriti com faixas contra a Copa das Confederações. Eles se reúnem com o Correio ainda nesta sexta - Iano Andrade/CB/D.A Press
             
            A luta pela liberdade me aprisiona e não me cabe escolher um lado, não cabe a mim, dar opinião. Tenho que lutar por um ideal que não é o meu. A paisagem bucólica é minha prisão. Pastos, cavalos e eu, em erupção. Uma bebida, um trago, um beijo. Nada disso é pra mim. As risadas noturnas, a música, a dança, a alegria, nada está ao meu alcance. Sento-me, uniformizada, mecanizada, armada, desalmada. Braços cruzados, pose blasé. Concordo, mas digo não, porque não me cabe concordar, ou discordar. Amar não é pra mim, e agora não sou gente, meu copo está vazio, meu corpo não sente frio, não sente dor. Meu corpo está presente, servindo e protegendo, só não sei quem. O que me alivia é a minha mente. Essa ninguém aprisiona. Estou fixa, tentando parecer atenta, alerta. Minha roupa disfarça bem, mas a minha mente se manifesta, queima pneus, grita, bebe, canta. Minha mente se diverte enquanto eu apenas olho. Aguardo o momento em que a mente, já bêbada, se unirá ao corpo sedento. Uma bebida, um trago, um beijo...

            sexta-feira, 31 de maio de 2013

            Metamorfose (Por Thaís Azenha)




            Sempre gostei mais de cães. A alegria de graça que me faltou a vida inteira, sua dependência fazendo-me sentir importante de certa forma. Em tudo que escolhemos acredito que deixamos rastros de nossa personalidade. A rotina, minha inimiga cruel, destruiu coisas que hoje não sei mensurar o quanto valeram a pena, como um casamento fracassado ou um emprego bem pago insuportável. Lutei contra a seriedade com medo de crescer e endurecer. Mantive as mesmas cores no guarda roupa, algumas ideologias, alguns livros de cabeceira. Mas algo mudou aqui dentro. Nem suporto a mesma paisagem da cidade na janela do ônibus. Só a cerveja tem o mesmo sabor. Hoje escrevo ao lado da minha gata e da minha velha insônia, companheira inseparável. Independente, de poucos afagos. Não esconde sentimentos, nem morre de amores por mim. Esfaqueei a rotina sem poder. Pintei o cabelo. Pode parecer pouco para quem assiste de fora, mas nesse casulo ocorre um vulcão em erupção. Mudar de cidade é o próximo passo. O amor? Se mantém ou muda também.

            quarta-feira, 22 de maio de 2013

            Concepção (Thais Azenha)



            Já sentia dentro do útero
            o frio na espinha, gosto do ácido
            o cio da Terra, o toque áspero

            Você pode achar que é o cúmulo
            ou que o fim da meada está um pouco efêmero
            fim da picada, um exagero

            Mas eu já nasci absurda
            Fina nos atos, sobro nas bordas
            o pingo que com enfim o corpo transborda

            Também não me sinto mais tão única
            Faço o perfeito de todo imperfeito
            ou quando detenho a certeza de eu não ter mesmo mais jeito

            É um pouco tarde para o túmulo,
            Ou cedo demais, sou improviso
            O dia passou não foi por falta de aviso

            quarta-feira, 15 de maio de 2013

            Um poeta que vale a pena conhecer (postado por LUA)

            Após voltar pra casa, 'poeta das ruas' continua a escrever histórias
            Publicidade

            CARLA GUIMARÃES
            COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM GOIÂNIA


            O "poeta das ruas" de São Paulo, Raimundo Sobrinho, 74, passou 20 anos no canteiro central da avenida Pedroso Morais, zona oeste. Em dezembro de 2005, a Folha contou sua história.

            Há um ano, ele foi encontrado pelo irmão --graças a ajuda de uma publicitária que se sensibilizou com sua história-- e levado para morar em Goiânia com a família. Entre lacunas e imprecisões, o poeta conta sua trajetória.

            *

            Os documentos dizem Raimundo Arruda Sobrinho, nascido em 1º de agosto de 1938, na fazenda Sol Ferino, em Porto do Sítio [atual Goiatins, norte do TO].

            Meu pai era vaqueiro. Nascido e criado na zona rural, fui levado aos 16 anos para a cidade, me entregaram para o prefeito, para educar.

            De agosto de 1954 a janeiro de 1961 morei com o prefeito. Ia no período das aulas e passava férias em casa.

            Em 1960 fui reprovado na segunda série ginasial, me desgostei e fui para São Paulo --cheguei em 10 de janeiro de 1961. Um conhecido me arranjou a passagem.

            Fui procurá-lo [o conhecido] na Vila Madalena, num cortiço de madeira. Amanheceu e já fui trabalhar de jardineiro.

            Em 1974 houve um desgosto qualquer, abandonei o jardim e fui vender livro velho pelas calçadas. Passava semana sem vender um. Não ganhei nem mais para alimentação.

            Dois anos depois estive internado na psiquiatria do Hospital das Clínicas. Muita gente diz: "Tu não sabe o que é um hospital psiquiátrico".

            Memórias do canteiro central

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            Marlene Bergamo-21.dez.05/Folhapress
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            Em dezembro de 2005, no canteiro central da avenida Pedroso de Morais, Raimundo Sobrinho, hoje com 74 anos, escreve em seus cadernos poemas abstratos que dava para as pessoas

            Tive 14 endereços até 1978. Morei num quarto e cozinha sem luxo, mas asseado, onde ficou tudo que é meu.

            Quando me fizeram abandonar a casa em que eu morava, em 29 de abril de 1978, comecei a dormir pelas ruas.

            Ali me reconheci vítima de violação de direitos humanos. Procurei consulados, ninguém prestou atenção.

            Sem dinheiro para nada, decidi em 1980 tentar ir para a Argentina. Fui até onde disseram que era Uruguaiana (RS). Cheguei em julho de 1980. Alegaram falta de documento...

            Em outubro tentei o Paraguai. Cheguei num dia, no outro fui preso. Passei três dias na cadeia. O cônsul brasileiro me retirou. Deixaram-me onde disseram ser Foz do Iguaçu. Ali fui servente de pedreiro.

            No Uruguai. entrei mas não pude ficar. As autoridades e eu nos desentendemos.

            Voltei a São Paulo em 1983. Estive no Morumbi, Jardim Paulista, Ibirapuera. Em 1985 fui para a av. Amarílis, onde vivi até junho de 1989.

            Numa madrugada chegou um carro cheio de rapazes, acordaram-me e ameaçaram-me. Na rua das Amoreiras fui apedrejado. Não mataram porque não quiseram.

            Ficava num local enquanto podia. Havia demonstração de desapreço, me afastava.

            Ali [canteiro central da Pedroso de Morais] cheguei era 27 de outubro de 1993. Vivia debaixo de plástico, noite e dia cercado por assaltantes.

            Em 1986, em novembro, nasceu o atual diário --diário de uma vítima de violação de direitos humanos.

            As mínipáginas não me lembro bem, mas nasceram nesse período. Tudo que escrevo assino, dato e localizo. O público dava os papéis.

            A produção é reduzida. Se a pessoa chegasse e eu tivesse minipágina, dava. Se não tivesse, prometia, fazia e guardava à espera da pessoa.

            Além delas tem os caderninhos. A capa é feita de papel de embrulho. Fiz centenas.

            O barulho dos automóveis não alterava para escrever, só a má iluminação. Qualquer hora escrevia, até debaixo de chuva. Arranjava um plástico, sentava numa lata de 18 litros e continuava trabalhando.

            Tem coisas nos meus escritos que considero de valor científico. Chegou um ponto que deixei de assinar meu nome, para assinar o pseudônimo "O Condicionado". Não me lembro a partir de quando. Comecei a ouvir "o condicionado". Descobri que era eu.

            Em 1986 veio um pessoal que disse ser do programa Flávio Cavalcanti [então transmitido pelo SBT], me entrevistaram e perguntaram se poderia ir ao programa. Trouxeram a mulher do Antônio Souza Porto [ex-prefeito de Goiatins] e o filho dela.

            Do programa me levaram para um hotel. No outro dia me arrastaram até Goiânia. Eu não queria vir. Passei um mês e voltei para o mesmo local que vivia, no Morumbi.

            ADAPTAÇÃO

            Desta vez disseram que foi com essa instituição dos celulares que me localizaram. Envolveu uma jovem que começou a frequentar o local que eu vivia [a publicitária Shalla Monteiro].

            Disseram que ela se comunicou com o Francisco [Arruda, irmão dele]. Ele foi lá duas, três ou quatro vezes, e terminou arrastando-me para cá. Eu não queria.

            Não teve problema de adaptação. Preferia continuar lá, porque aqui estou dando trabalho, ocupo espaço, consumo, como, bebo.

            Aqui a ordem foi que não preciso trabalhar. O que posso ajudar, faço. Limpar, varrer embaixo dessas mangueiras.

            Amanheceu o dia faço o que é possível, depois pego os papéis. O fundamental é o diário. As minipáginas faço o que posso. Aqui não tem muita necessidade delas. Lá precisava para dar a quem me desse alguma coisa, tenho a necessidade moral de retribuir com qualquer coisinha.

            Não me considero escritor, mas uma pessoa que sabe gastar papel. Não ganhei um centavo à custa do que escrevi. Tentei. O mundo editorial não pôde pagar coisa nenhuma. Publicar não quero.

            Não sei coisa nenhuma o que fazer da vida. Escrever, enquanto eu puder, vou escrever.