Sua Revista Digital Semanal onde você encontra rock, poemas, humor, e ótimas opções para o fim de semana.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
O rio da alma ( Por Thaís Azenha)
Mesmo sem a certeza do que pertence a mim
ou ao meu feitio,
Incansavelmente, dispenso a passividade.
Evito persistente a inconstância do fim,
sombrio,
Sorrateiramente desafio a saudade.
Certa de que tudo o que é marcado há de vir,
tal o rio,
Indubitavelmente, afogo a alma que luta por liberdade.
As panquecas ( Por Thaís Azenha)
Todos são propícios a doenças.
Você e eu. Ela, ele ou você.
Me peguei em mais um dilema.
Conto ou não conto?
Contaria por respeito, sei lá, por achar que estaria sendo justa.
Mas o fato é: estaria mesmo?
Dúvidas a me rondar e torturar.
Acho que a notícia é minha.
E Raul já dizia que valia a pena ser egoísta.
Embolo como uma panqueca e levo comigo pra sempre.
Ninguém gosta mais de panquecas.
E talvez eu seja só mais uma "canceriana" sem lar.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
— Me vê uma companhia errada, por favor. (Thaís Azenha)
— Me vê uma companhia errada, por favor.
Quando é que estamos com as pessoas certas? Todas as vezes que coloquei minhas mãos no fogo por pessoas que considerei certas, queimei o braço todo. Me vejo ridícula no tempo em que filtrava minha companhias pelos bons modos, mas, no fundo foi ótimo; Só assim percebi que as pessoas vivem como ovos, protegidas por uma casquinha que querem mostrar, mas por dentro, são todas iguais, todas tem um lado amigável e egoísta, um lado angelical e um lado diabólico. As pessoas são cascas. Todas vulneráveis à tudo. Muitas vezes me coloco na posição de “má companhia” na visão da minha família. Talvez eu seja a companhia que eles não querem que eu ande, e isso é resultado de vivência. Tudo bem, eu não passei nem dos meus 25 anos de vivência, mas as escolhas que tomei me deixaram velha. O que é o certo nos dias de hoje? Tudo está numa balança. O certo e o errado não passam de questão de opinião, tudo é julgado pelo ângulo em que é visto. Ah, as companhias… Morro de medo de ser a melhor companhia, isso atrairia muitas pessoas, e quanto mais pessoas, mais chances de se complicar. Morro de medo de ser a pior companhia, pois isso afastaria muitos, e como uma pessoa sozinha vive? Não vive, sobrevive. A guerra interior é uma das piores que pode haver pois não há escudo para buscar, é o nosso eu contra si mesmo.
Quero fugir de qualquer tipo de guerra. Ultimamente tive guerras amorosas, familiares e interiores (essas que citei são as piores), todas elas deixam marcas que escudo nenhum é capaz de evitar. Fugindo de todas elas estou, mas fugir sozinha é se atirar pro nada. Procuro por companhias. “Garçom, me vê uma má companhia para atrasos e uma boa companhia para seguir em frente.”— Prefira Borboletas
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Escuta-me (por Lua)

Enquanto lá fora os espelhos se partem, escuta por favor o meu abraço, que sai detrás da máscara que me cala gritando o amor aprisionado no coração de gelo, agora derretido, pingando as lágrimas que eu queria chorar e não consigo porque a máscara que ostento é blindada, feita para fazer com que os sentimentos me corroam por dentro.
Escuta meu abraço porque ele é a única coisa que me restou.
Insones conversas (Por Lua)
Insones conversas desencaminhadas
Que mudam a vida e não levam à nada
Só eu e você enquanto a noite vira madrugada
Eu, você e nossa vida em pauta
Soluções na bandeja
Teoria musicada
O amanhecer transforma
Os garranchos em vida
jogando no lixo a certeza lírica
Da poetisa que se conscientiza
Que só o que sabe
É tornar arte
Palavras difíceis
Que nunca sentiu
Triste essa artista
Que fez do papel
Seu coração
Triste essa artista
Que recebeu o dom
De emocionar
Sem emoção
Insones conversas desencaminhadas
Que mudam a vida e não levam a nada
Que tentam viver e se perdem na estrada
É nas falácias da madrugada
O único momento em que me encontro
Desarmada
E eu, menina, sempre tão desalmada
Assumo que tudo não passa de medo
De não ser amada
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Sobrevivendo (Por Lua)
E eu sobrevivia intensamente naquela liberdade doente de múltiplos sorrisos e lágrimas cristalizadas que tornavam-se estrelas a cada lua que passava.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Lista com bebedores que encaram tudo por uma cerveja
Lista reúne 'bebedores' encarando neve e inundações por cerveja
Nos EUA, homem enfrentou nevasca para comprar o produto.
Australiano usou
caiaque para superar inundação e comprar cerveja.
Do G1, em São
Paulo
No dia 9 de fevereiro, um homem foi flagrado enfrentando uma forte nevasca
que atingiu a cidade americana de Boston, no estado de Massachusetts (EUA), para
comprar cerveja. Abaixo, o G1 reúne esse e outros flagras
curiosos envolvendo compradores de cerveja.
Homem é flagrado enfrentando neve para comprar
cerveja em Boston (Foto: Jared Wickerham/Getty Images/AFP)
Em outubro de 2011, um homem foi flagrado remando
um bote feito com uma câmara de pneu em uma área alagada em Bangcoc, na
Tailândia, enquanto carregava uma caixa de cerveja (Foto: Damir
Sagolj/Reuters)
Em janeiro de 2011, um morador de Rockhampton,
cidade afetada por inundações na Austrália, foi flagrado usando um caiaque para
ir buscar cerveja (Foto: Torsten Blackwood/AFP)
Em setembro de 2011, o americano Mike Ingolls foi
flagrado enfrentando uma rua inundada enquato levava para sua casa em Hellam
Township, no estado da Pensilvânia (EUA), uma caixa de cerveja (Foto:
AP)
Em janeiro de 2011, um homem foi visto andando em
uma rua alagada em Rockhampton, Queensland, na Austrália, enquanto carregava uma
caixa de cerveja e gelo (Foto: Reuters)
Papel Machê para brincar (Por Lua)
Sexta-feira, dia de pensar qual será o artesanato
que farei com meus pequenos no fim de semana! E esse fim de semana eu
pensei em Papel mache!
A criança é um artista ´por natureza, logo nos
primeiros anos começa a explorar o mundo e a representá-lo por meio
da arte: rabiscar, montar, desmontar, dançar, dramatizar, criar
histórias, cantar... Eles tem curiosidade, imaginação e tudo o que
nós temos que fazer é orientar e incentivar.
A modelagem,
brincadeira escolhida para esse fim de semana, contribui para o
desenvolvimento cerebral do ser humano em qualquer faixa etária. Por
meio dela é possível estimular, o córtex
cerebral, e acelerar seu
desenvolvimento.
A pedagoga
Silvia Mara da Silva nos diz que por meio da modelagem “… é
possível estimular o córtex cerebral, e dessa forma, criar novas
vias neurais que irão favorecer novas aprendizagens…”. Leia mais
sobre a sua experiência no site Centro
de Vida Independente .
Receitas
Bom, existem várias receitas. Vou
colocar aqui uma bem fácil, e também um outro método, chamado
papietagem que facilita quando as crianças são pequenas:
Para mim, a melhor massa de papel
machê caseira é aquela feita de papel higiênico e cola branca, sem
nenhum ingrediente extra. Aqueles que usam a cola de farinha de
trigo, adicionam antifúngicos porque a farinha é orgânica e
deteriora-se. Seja com a cola branca ou com a cola
de farinha de trigo, é fundamental deixar a peça secar bastante
para eliminar toda sua umidade e evitar o desenvolvimento de fungos.
Obs.: Por gostar da textura final,
eu uso papel higiênico (apesar do custo ficar
maior) e também o papel tipo sulfite (o que usamos
para imprimir, desenhar: oficio, A4 – aqueles que já foram usados
os dois lados, faturas, impressos que iriam para o lixo, etc). Você
pode usar qualquer outro tipo de papel para fazer a massa, menos
papel carbono e os plastificados. Os papeis mais consistentes você
deixa de molho na água por pelo menos 24 horas e liquidifica
bastante. Os jornais são muito usados para essa técnica porque o
custo é baixo. Aqueles suportes/caixas de papel para ovos e frutas
também são ótimas para fazer a massa, pois fica bem macia.

Vamos a receita:
Material:
- 2 rolos de papel higiênico
- Água
- ½ kg de cola branca (Indico a Cascorez rótulo azul)
- 01 recipiente tamanho médio
- 1 colher ou espátula
- Peneira ou escorredor
- Liquidificador (opcional)
Como fazer:
1. Coloque
o(s) rolo(s) de papel higiênico, sem o cilindro interno de papelão,
em um recipiente e adicione água.
Obs.: Você pode adicionar agua fria
ou quente. A água quente dissolve mais rapidamente as fibras do
papel.
2/3.
Esfarele o papel até dissolver bem.
Atenção: Se usou água quente
esfarele usando uma espátula.
Obs.: Pode-se também utilizar o
liquidificador. Coloque uma porção de papel e adicione três
porções proporcionais de água. Liquidifique, coe e siga a
sequência a partir do quadro 4.
4/5. Retire
o excesso de água com a ajuda de um coador. É importante que o
papel seja bem coado. Aperte entre as mãos pequenas quantidades de
papel retirando bastante a água.
Obs.: Se quiser, você pode colocar
os bolinhos de papel em uma tolha, enrolando-os e espremendo-os ainda
mais.
6.
Depois de retirar bastante a água, esfarele o papel com as mãos até
conseguir “grãos” bem suave.
Obs.: Nessa etapa, depois de
esfarelado, tem alguns artistas que liquidificam mais uma vez para
conseguir uma consistência mais fininha. Acho que com o papel
higiênico não precisa, mas com um outro papel mais consistente, é
uma opção.
7/8. Adicione
cola aos poucos até que a massa fique úmida e com consistência
parecida com massa de modelar. Pronto, pode usar.
Obs.: Cuidado para não acrescentar
muita cola, se isso acontecer adicione mais papel.
SE FOR USAR O PAPEL SULFITE,
PAPELÃO OU PAPEL JORNAL: rasgue em pedaços pequenos e
liquidifique. Se usar água quente o papel dissolve melhor. Siga a
partir dos passos 4 e 5. A massa com papel sulfite também é ótima.
A massa com papelão ou jornal fica com a textura mais rústica.
ATENÇÃO:
– Deixe sua peça secando a sombra em local arejado. Se for necessário colocá-la no sol, faça isso só após sentir que sua peça está seca ao toque e que está há algum tempo secando a sombra. Isso evita rachaduras e deformações.
– Deixe sua peça secando a sombra em local arejado. Se for necessário colocá-la no sol, faça isso só após sentir que sua peça está seca ao toque e que está há algum tempo secando a sombra. Isso evita rachaduras e deformações.
- Não faça peças maciças, faça um suporte ou estrutura. Por exemplo, se for fazer uma bola, pegue uma bola de isopor e cubra-a com a massa de papel machê.
PAPIETAGEM:
(Vamos usar o jornal velho
do papai ou da mamãe e reciclar!!!!)
Como
eu tenho uma princesa de 4 aninhos, nesse fim de semana vamos usar a
técnica da papietagem para fazer máscaras:
Na
primeira você fará mascaras de meio rosto. Você vai precisar de
papelão e cores. Faça um esboço da máscara sobre o papelão.
Cortar as partes do papelão que terá aberturas para os olhos. Cubra
a máscara com papel machê. Lembre-se de não cobrir os buracos que
você fez para os olhos da máscara. Aplique duas camadas, mas não
se esqueça de aplicar a próxima camada até que a primeira esteja
seca. Uma vez que a máscara todo estiver seca está pronta para ser
pintada (a melhor parte). Aí é só colocar elástico e pronto!
A
outra forma é usando um balão:
Para fazer máscaras de papel machê para crianças, o primeiro passo é encher um balão garantindo que o balão fique equivalente ao tamanho de um rosto. Dica de mãe: Coloque uma toalha de plástico na mesa, antes de iniciar o trabalho neste projeto criativo.
Corte várias tiras de papel e mergulhe na mistura de água e cola e vá colando no balão de modo que não fique nem um pedaço do balão sem papel.
Depois de sobrepor o balão deixando apenas um buraco no fundo para retirar o balão depois, começe a colocar outra camada de tiras de papel de cruzamento. Quando você terminar com a segunda camada, fazer o mesmo para a terceira camada. Deixe secar até endureçer. Se você quiser, você pode colocar camadas extras também. Após secar completamente, formará a forma básica. O próximo passo você precisa ter é estourar o balão usando um alfinete ou um par de tesouras, e só tirar o balão.
Em seguida, você precisa cortar o papel machê em duas metades verticais. Você pode usar as duas partes para fazer duas máscaras separadas. Você agora precisa cortar dois orifícios ovais para os olhos e cortar uma fenda para a boca com uma tesoura. O papel machê pode ser um pouco difícil por causa das múltiplas camadas, assim você pode utilizar uma faca afiada
depois de cortar os
balões aplique mais camada de tiras para não dar o acabamento e
não esqueça de fazer os buraquinhos para colocar o elástico.
Faça nariz,
sombrancelhas, orelhas e tudo o que você achar divertido.
Uma ideia é mergulhar fiapos de roupa na pasta de papel machê e utilizá-lo para sobrancelhas, bigodes, chifres e outros tipos semelhantes de decorações adicionais. Sugere-se a pintar a máscara utilizando tintas não-tóxicas. .
Um vulcão de
papel machê é um projeto de ciências consagrado e que crianças
gostam de fazer e ativar. Apesar de muitas crianças criarem um
vulcão básico de papel machê sem nenhum detalhe, você pode
fazer seu vulcão ser notado com uma aparência mais realística.
Utilize materiais de artesanato, como tinta acrílica e anilina
vermelha.
O que você precisa?
- 2 vasilhas
- Farinha
- Amido de milho
- Colher
- Jornal
- Fita adesiva
- Papelão
- Rolo de papel toalha
- Tinta acrílica, colorida
- 2 pincéis
- Esmalte acrílico claro
- Bicarbonato de sódio
- Vinagre branco
- Corante vermelho
Instruções
1 - Misture 2 copos de farinha, 2 copos de
amido de milho e 3 copos de água em uma vasilha grande. Mexa bem
com uma colher por cinco minutos, até misturar bem.
2 - Passe fita em um rolo de papel toalha na
vertical, no centro de um papelão. Amasse folhas de jornal e as
coloque envolvendo o tubo. Coloque as bolas de jornal amassado
até formar a aparência de um vulcão.
3 -Rasgue jornal em fitas, cada uma com 5 cm
de largura e com 20 cm de comprimento. Molhe as tiras, uma de
cada vez, na mistura de farinha e amido de milho e coloque-as
sobre o modelo de montanha. Cubra a montanha inteira com 6
camadas de tiras de papel machê. Deixe o papel secar por duas
horas.
4 - Pinte o papel machê com tinta acrílica,
para parecer mais realista. Use cores naturais como verde,
marrom, branco e bege. Deixe a tinta secar por uma hora.
5 - Use esmalte acrílico claro sobre o todo o
papel machê do vulcão, para proteger a tinta acrílica de
desgastar ou descascar. Deixe o esmalte secar por uma hora.
6 - Coloque meio copo de bicarbonato de sódio
no centro do vulcão.
7 - Misture 1 copo de vinagre branco e 10
gotas de anilina vermelha em uma vasilha. Misture as duas
substâncias por um minuto com uma colher para juntá-las. Isso
deixará o vinagre vermelho vivo.
8 - Coloque o
vinagre vermelho no centro do vulcão e deixe o vinagre reagir com
o bicarbonato, o que produzirá uma erupção
sexta-feira, 19 de julho de 2013
A Dama (Por Lua)
Assumo a loucura que me imputam. Todas elas.
O rótulo dos amigos com bons olhos, o da
família, o da sociedade, e o de toda a turma da psiquiatria.
Assumo a loucura, mas não a consciência da
loucura, pelo menos não a consciência plena que ultrapassa o
diagnóstico e se aprofunda na psiquê.
Assumo a loucura diagnosticada mas não a visão
de mim mesmo como tal. Talvez seja aí que se encontra a gravidade da
coisa, ou não.
Queria mesmo era alguma explicação. Tudo me
parece tão louco, tão do avesso em contraste com a minha exclusiva
sanidade, que me faz questionar se sou eu, ou o resto do mundo que
enlouqueceu. O pior de tudo é que o fato de passar pela minha cabeça
que pode ser eu a louca, já demonstra um mínimo de sanidade mental.
Ou não? O que me incomoda é a dúvida, a incerteza.
Assumo a loucura. Tudo bem! Mas ao assumir a
loucura, presumo instantaneamente que esse é um ato de uma pessoa
sã. É nesse ponto que minha cabeça começa a doer e me sinto como
a Dama do baralho, dividida em duas. Cabeça pra cima, cabeça pra
baixo, sem saber qual é a real e qual é a imagem refletida. Isso me
parece sintoma de loucura, mas como tive a consciência e a plena
capacidade de analisar minha própria loucura, me sinto sã.
Acho que é hora de parar. Tire suas próprias conclusões se quiser. Quanto a mim vou tentar ficar bêbada (só por hoje) para ter ao menos um momento de certeza nessa minha existência incerta. Bêbados são sempre bêbados e nada mais.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Véspera do "sou louca e daí?" (Por Thaís Azenha)
Hoje é o dia D.
De não dormir, não sorrir, não parar de pensar. Estou isolada e ao mesmo tempo obsessiva. Sem controle. Meu cérebro está um turbilhão. Li três livros em dois dias. Um tinha mais de 400 páginas. Sem luz do sol. Amanhã acordar cedo e caminhar sozinha para o abatedouro. Já pode ser definitivo, ou ganho um prazo de 3 dias, mas já vou com a mala. Agora estou chorando, quero chorar tudo hoje. Queria que não sobrasse lágrimas para amanhã. Já que não terei colo pra me consolar. Eu e eu mesma. E o meu desequilíbrio. Meu corpo, à revelia, está se mutilando. Esse processo precisa parar senão...
Confesso que gostaria de ver algumas pessoas hoje, mas as despedidas são tristes. E ninguém é obrigada a compartilhar de um desespero que me pertence. Sentimento nublado, quase sempre.Mas logo irá chover.
Não tenho um projeto delineado, mas tenho um plano muito bom para mim. Nele não há espaço para mediocridade, para meia vida, meio amor, meia alegria. Nem a meia Thaís que existiu por tantos anos.
Se eu vislumbro algo completo, por que aceitar a fração agora?
Melhor não.
Espero então, pacientemente, o inteiro. Por enquanto fico aqui, totalmente despedaçada, estilhaçada. Em cacos.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Manifesto de uma Policial Militar
Sou
mãe, funcionária pública, carioca, tatuada, rockeira, contribuinte. Já fui uma
cara-pintada, protestei, ergui cartazes. Hoje, em 2013, também participo dessa
manifestação, mas não do mesmo jeito. Concordo e torço para que todo esse
protesto mude de fato alguma coisa. Sofro (e pago) com os altos impostos, com a
corrupção e toda essa roubalheira que assola nosso país. Até anulei meu voto
nas duas últimas eleições como forma de protesto. Já fui estudante, já fui
universitária, aliás passei um tempão estudando para passar em um concurso e
passei. Hoje sou Policial Militar e me orgulho disso porque foi uma conquista,
mesmo não sendo o que eu idealizava para a minha vida, nunca havia me passada
pela cabeça ser policial, mas graças a Deus passei, tirei meus piercings, e
hoje sustento minha família, tenho a tão almejada estabilidade.
Na polícia, fui professora de
Mediação de Conflitos, fui relações públicas, trabalhei na equoterapia, fui até
a faixa de pedestre para ensinar regras de trânsito para criancinhas. Sempre
tentei fazer a diferença, mas hoje monto meu cavalo e sou mais uma policial no
meio dos milhares que trabalham nessas manifestações. Deixo de ser eu e me
torno a cavalaria.
Enquanto eu estava montada no meu
cavalo tentando impedir que manifestantes invadissem o Congresso Nacional,
vocês gritavam: “Ei, fardado, você também é explorado”. Como se eu não soubesse
disso. Eu sei, claro que sei. Sou, como todos os trabalhadores, todos os
assalariados neste país. A situação não está fácil para ninguém.
Quarta-feira, dia 26 de junho,será a
marcha dos Cem Mil e é também o dia do meu aniversário. Eu não queria estar lá,
pelo menos não trabalhando (quem é que quer trabalhar no dia do aniversário?).
Estarei longe da minha família, do meu marido, dos meus filhos, não poderei nem
receber um abraço de feliz aniversário. Minha mãe estará chorando, aliás, já
está desde ontem, porque sua filhinha caçula estará lá se arriscando ao invés
de estar comemorando. Se eu pudesse eu estaria com eles, ou até mesmo lá me
manifestando como vocês, mas não posso porque o fim do mês está chegando e eu
preciso levar comida para casa.
Não vou negar que entre os policiais
podem ter aqueles mais exaltados, até violentos, mas não são todos. Assim como
no meio dos manifestantes também tem aqueles que são exaltados e violentos, que
jogam coquetel molotov e garrafas na cabeça do meu parceiro, que estava do meu
lado quando foi atingido, mas não são todos os manifestantes que são assim.
Quem dera todos os policiais, no universo de 17 mil, fossem sensatos e
profissionais. Quem dera todos os manifestantes fossem pacíficos e tivessem um
objetivo definido, quem dera todas as pessoas fossem boas, quem dera não
houvesse assassinos, ladrões, corruptos. O que eu quero dizer é que não podemos
julgar, generalizar, rotular. Sou
policial estou do lado de vocês, não quero que vocês desistam e me entristeço
com a falta de possibilidade de eu também fazer um cartaz e mostrar minha
indignação. Me estristeçe também ver que por causa de algumas pessoas que
realmente não se importam, depredam, agridem, podemos perder uma oportunidade
única na história. Oportunidade mudarmos o rumo do nosso país.
Estive lá, estarei lá amanhã também.
Vocês podem até achar que o soldado está do lado errado, mas meu coração está
do lado de vocês. Do lado dos manifestantes que realmente tem algo a dizer.
Sei que quarta-feira será o meu
aniversário e de presente só espero não levar nenhuma pedrada, nenhuma
garrafada. Sei que minha mãe estará chorando, meus filhos estarão tristes, meu
marido estará pensando em mim e eu estarei querendo fazer qualquer outra coisa,
que será melhor do que ficar parada por horas e horas em cima de um cavalo, com
o pescoço a prêmio.
Sei que de presente espero que o
sacrifício do dia do meu aniversário sirva para que alguma coisa mude de
verdade. Quero de presente ver manifestantes de verdade, com ideais, com
sonhos, se sobrepondo aos baderneiros pois esse é único jeito de mudarmos algo.
E Que Deus me dê discernimento para
saber quem é quem no meio de milhares de pessoas, para não errar, para não
deixar o medo (sim, eu sinto medo) guiar meus atos. E que no final de tudo
isso, com um país transformado, um povo feliz, eu possa tomar uma cerveja com
meus familiares e amigos. Tanto aqueles amigos que conheci nesses 11 anos de
profissão, quanto aqueles amigos que estão lá carregando cartazes e fazendo
aquilo que eu não posso fazer.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Origamis para a criançada (Por LUA e meu Solzinho)
Eu começei a fazer origamis com 9 anos de idade e de lá pra cá não parei mais. Meu filho de 7 anos recentemente se interessou pela arte e eu, sem perder tempo, saí pesquisando origamis que ele pudesse fazer sozinho.
Brinquedos recicláveis (Por LUA)
Resovi decorar minha casa com reciclagem. Reciclei uma cõmoda, uma gaveta, latas de tinta...mas o melhor dessa história toda é ver meus dois anjinhos querendo reciclar qualquer coisa que encontram. Uma caixa de sucrilhos vira guarda-roupa da Barbie, um monte de latas viram trenzinhos... Bom, vou ficar pesquisando brinquedos feitos de material rweciclado para fazer um acada final de semana e, como diz minha filhota de 4 anos: SALVAR O PLANETA!!
Balsa de rolhas e retalhos de tecidos
As brincadeiras na piscina, praia, baldes no quintal de casa, ficarão mais divertidas com essas balsas feitas apenas com rolhas de garrafa, palitos de madeira, elásticos e retalhos de pano.
Pregador
Animal
(Predadores articulados, do site Estéfi Machado)
Material
pregadores de roupa
cartolina branca
Canetas coloridas ou lápis de cor
tesoura
cola bastão ou cola quente
Eu usei E.V.A em vez de cartolina
Como fazer
Desenhe o animal de sua preferência em uma folha de cartolina branca e corte seu formato. Faça uma fissura ao meio e na horizontal e cole cada parte em um dos lados do pregador. O animalzinho menor que faz o papel de isca na brincadeira deve ser colado por trás e na parte de baixo.
Vai e Vem

Para fabricar o vai e vem você irá precisar de:
- 2 garrafas de refrigerante;
- tampas de xampu, materiais de limpeza, botões;
- 2 fios de varal de 1,5 cada;
- tesoura (peça ajuda de um adulto);
- fita adesiva.
Montando o vai e vem:
Com a ajuda de um adulto, corte as garrafas de refrigerante ao meio e separe a metade que ficou com o gargalo. Em seguida, passe os dois fios de varal pelo gargalo de uma das garrafas. Pegue a outra garrafa e passe o mesmo fio de varal, mas dessa vez coloque-o da metade em direção ao gargalo. Coloque as tampas e botões dentro das garrafas e com a fita adesiva cole as duas metades. Você pode enfeitar como quiser o seu mais novo brinquedo, que necessita da participação de duas crianças, cada um em uma ponta do brinquedo.

Para fazer o balão você irá precisar de:
- 1 balão de qualquer cor;
- jornal;
- cola branca;
- barbante;
- fita crepe;
- 1 caixa pequena, pode ser de leite.
Montando o balão:
Em primeiro lugar você terá que encher o balão. Depois pegue o jornal e rasgue-o em tiras. Coloque algumas tiras em cima do balão, e vá colando, com a cola branca, outras tiras por cima. Mas cuidado, você não pode colar as tiras de jornal diretamente no balão. Depois de ter colado várias camadas de jornal, espere secar. Depois de seco, estoure o balão e retire-o de dentro do balão de jornal. Corte quatro pedaços iguais de barbante de mais ou menos 20 cm cada e, em seguida, com a fita adesiva, cole uma das pontas no balão de jornal. Cole as outras pontas do barbante na caixinha. Decore o balão e a caixinha do jeito que quiser e já pode sair para brincar.
Balsa de rolhas e retalhos de tecidos
PREGADOR ANIMAL
As brincadeiras na piscina, praia, baldes no quintal de casa, ficarão mais divertidas com essas balsas feitas apenas com rolhas de garrafa, palitos de madeira, elásticos e retalhos de pano.
(Predadores articulados, do site Estéfi Machado)
Material
pregadores de roupa
cartolina branca
Canetas coloridas ou lápis de cor
tesoura
cola bastão ou cola quente
Eu usei E.V.A em vez de cartolina
Como fazer
Desenhe o animal de sua preferência em uma folha de cartolina branca e corte seu formato. Faça uma fissura ao meio e na horizontal e cole cada parte em um dos lados do pregador. O animalzinho menor que faz o papel de isca na brincadeira deve ser colado por trás e na parte de baixo.
Vai e Vem
Para fabricar o vai e vem você irá precisar de:
- 2 garrafas de refrigerante;
- tampas de xampu, materiais de limpeza, botões;
- 2 fios de varal de 1,5 cada;
- tesoura (peça ajuda de um adulto);
- fita adesiva.
Montando o vai e vem:
Com a ajuda de um adulto, corte as garrafas de refrigerante ao meio e separe a metade que ficou com o gargalo. Em seguida, passe os dois fios de varal pelo gargalo de uma das garrafas. Pegue a outra garrafa e passe o mesmo fio de varal, mas dessa vez coloque-o da metade em direção ao gargalo. Coloque as tampas e botões dentro das garrafas e com a fita adesiva cole as duas metades. Você pode enfeitar como quiser o seu mais novo brinquedo, que necessita da participação de duas crianças, cada um em uma ponta do brinquedo.
Fazendo um
balão
Para fazer o balão você irá precisar de:
- 1 balão de qualquer cor;
- jornal;
- cola branca;
- barbante;
- fita crepe;
- 1 caixa pequena, pode ser de leite.
Montando o balão:
Em primeiro lugar você terá que encher o balão. Depois pegue o jornal e rasgue-o em tiras. Coloque algumas tiras em cima do balão, e vá colando, com a cola branca, outras tiras por cima. Mas cuidado, você não pode colar as tiras de jornal diretamente no balão. Depois de ter colado várias camadas de jornal, espere secar. Depois de seco, estoure o balão e retire-o de dentro do balão de jornal. Corte quatro pedaços iguais de barbante de mais ou menos 20 cm cada e, em seguida, com a fita adesiva, cole uma das pontas no balão de jornal. Cole as outras pontas do barbante na caixinha. Decore o balão e a caixinha do jeito que quiser e já pode sair para brincar.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Manifestação na Esplanada (Por Lua)
A luta pela
liberdade me aprisiona e não me cabe escolher um lado, não cabe a mim, dar
opinião. Tenho que lutar por um ideal que não é o meu. A paisagem bucólica é minha prisão. Pastos,
cavalos e eu, em erupção. Uma bebida, um trago, um beijo. Nada disso é pra mim.
As risadas noturnas, a música, a dança, a alegria, nada está ao meu
alcance. Sento-me, uniformizada, mecanizada, armada, desalmada. Braços
cruzados, pose blasé. Concordo, mas digo não, porque não me cabe concordar, ou discordar. Amar
não é pra mim, e agora não sou gente, meu copo está vazio, meu corpo não sente
frio, não sente dor. Meu corpo está presente, servindo e protegendo, só não sei
quem. O que me alivia é a minha mente. Essa ninguém aprisiona. Estou fixa, tentando
parecer atenta, alerta. Minha roupa disfarça bem, mas a minha mente se
manifesta, queima pneus, grita, bebe, canta. Minha mente se diverte enquanto eu
apenas olho. Aguardo o momento em que a mente, já bêbada, se unirá ao corpo
sedento. Uma bebida, um trago, um beijo...
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Metamorfose (Por Thaís Azenha)
Sempre gostei mais de cães. A alegria de graça que me faltou a vida inteira, sua dependência fazendo-me sentir importante de certa forma. Em tudo que escolhemos acredito que deixamos rastros de nossa personalidade. A rotina, minha inimiga cruel, destruiu coisas que hoje não sei mensurar o quanto valeram a pena, como um casamento fracassado ou um emprego bem pago insuportável. Lutei contra a seriedade com medo de crescer e endurecer. Mantive as mesmas cores no guarda roupa, algumas ideologias, alguns livros de cabeceira. Mas algo mudou aqui dentro. Nem suporto a mesma paisagem da cidade na janela do ônibus. Só a cerveja tem o mesmo sabor. Hoje escrevo ao lado da minha gata e da minha velha insônia, companheira inseparável. Independente, de poucos afagos. Não esconde sentimentos, nem morre de amores por mim. Esfaqueei a rotina sem poder. Pintei o cabelo. Pode parecer pouco para quem assiste de fora, mas nesse casulo ocorre um vulcão em erupção. Mudar de cidade é o próximo passo. O amor? Se mantém ou muda também.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Concepção (Thais Azenha)
Já sentia dentro do útero
o frio na espinha, gosto do ácido
o cio da Terra, o toque áspero
Você pode achar que é o cúmulo
ou que o fim da meada está um pouco efêmero
fim da picada, um exagero
Mas eu já nasci absurda
Fina nos atos, sobro nas bordas
o pingo que com enfim o corpo transborda
Também não me sinto mais tão única
Faço o perfeito de todo imperfeito
ou quando detenho a certeza de eu não ter mesmo mais jeito
É um pouco tarde para o túmulo,
Ou cedo demais, sou improviso
O dia passou não foi por falta de aviso
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Um poeta que vale a pena conhecer (postado por LUA)
Após voltar pra casa, 'poeta das ruas' continua a escrever histórias
O "poeta das ruas" de São Paulo, Raimundo Sobrinho, 74, passou 20 anos no canteiro central da avenida Pedroso Morais, zona oeste. Em dezembro de 2005, a Folha contou sua história.
Há um ano, ele foi encontrado pelo irmão --graças a ajuda de uma publicitária que se sensibilizou com sua história-- e levado para morar em Goiânia com a família. Entre lacunas e imprecisões, o poeta conta sua trajetória.
Os documentos dizem Raimundo Arruda Sobrinho, nascido em 1º de agosto de 1938, na fazenda Sol Ferino, em Porto do Sítio [atual Goiatins, norte do TO].
Meu pai era vaqueiro. Nascido e criado na zona rural, fui levado aos 16 anos para a cidade, me entregaram para o prefeito, para educar.
De agosto de 1954 a janeiro de 1961 morei com o prefeito. Ia no período das aulas e passava férias em casa.
Em 1960 fui reprovado na segunda série ginasial, me desgostei e fui para São Paulo --cheguei em 10 de janeiro de 1961. Um conhecido me arranjou a passagem.
Fui procurá-lo [o conhecido] na Vila Madalena, num cortiço de madeira. Amanheceu e já fui trabalhar de jardineiro.
Em 1974 houve um desgosto qualquer, abandonei o jardim e fui vender livro velho pelas calçadas. Passava semana sem vender um. Não ganhei nem mais para alimentação.
Dois anos depois estive internado na psiquiatria do Hospital das Clínicas. Muita gente diz: "Tu não sabe o que é um hospital psiquiátrico".
Tive 14 endereços até 1978. Morei num quarto e cozinha sem luxo, mas asseado, onde ficou tudo que é meu.
Quando me fizeram abandonar a casa em que eu morava, em 29 de abril de 1978, comecei a dormir pelas ruas.
Ali me reconheci vítima de violação de direitos humanos. Procurei consulados, ninguém prestou atenção.
Sem dinheiro para nada, decidi em 1980 tentar ir para a Argentina. Fui até onde disseram que era Uruguaiana (RS). Cheguei em julho de 1980. Alegaram falta de documento...
Em outubro tentei o Paraguai. Cheguei num dia, no outro fui preso. Passei três dias na cadeia. O cônsul brasileiro me retirou. Deixaram-me onde disseram ser Foz do Iguaçu. Ali fui servente de pedreiro.
No Uruguai. entrei mas não pude ficar. As autoridades e eu nos desentendemos.
Voltei a São Paulo em 1983. Estive no Morumbi, Jardim Paulista, Ibirapuera. Em 1985 fui para a av. Amarílis, onde vivi até junho de 1989.
Numa madrugada chegou um carro cheio de rapazes, acordaram-me e ameaçaram-me. Na rua das Amoreiras fui apedrejado. Não mataram porque não quiseram.
Ficava num local enquanto podia. Havia demonstração de desapreço, me afastava.
Ali [canteiro central da Pedroso de Morais] cheguei era 27 de outubro de 1993. Vivia debaixo de plástico, noite e dia cercado por assaltantes.
Em 1986, em novembro, nasceu o atual diário --diário de uma vítima de violação de direitos humanos.
As mínipáginas não me lembro bem, mas nasceram nesse período. Tudo que escrevo assino, dato e localizo. O público dava os papéis.
A produção é reduzida. Se a pessoa chegasse e eu tivesse minipágina, dava. Se não tivesse, prometia, fazia e guardava à espera da pessoa.
Além delas tem os caderninhos. A capa é feita de papel de embrulho. Fiz centenas.
O barulho dos automóveis não alterava para escrever, só a má iluminação. Qualquer hora escrevia, até debaixo de chuva. Arranjava um plástico, sentava numa lata de 18 litros e continuava trabalhando.
Tem coisas nos meus escritos que considero de valor científico. Chegou um ponto que deixei de assinar meu nome, para assinar o pseudônimo "O Condicionado". Não me lembro a partir de quando. Comecei a ouvir "o condicionado". Descobri que era eu.
Em 1986 veio um pessoal que disse ser do programa Flávio Cavalcanti [então transmitido pelo SBT], me entrevistaram e perguntaram se poderia ir ao programa. Trouxeram a mulher do Antônio Souza Porto [ex-prefeito de Goiatins] e o filho dela.
Do programa me levaram para um hotel. No outro dia me arrastaram até Goiânia. Eu não queria vir. Passei um mês e voltei para o mesmo local que vivia, no Morumbi.
ADAPTAÇÃO
Desta vez disseram que foi com essa instituição dos celulares que me localizaram. Envolveu uma jovem que começou a frequentar o local que eu vivia [a publicitária Shalla Monteiro].
Disseram que ela se comunicou com o Francisco [Arruda, irmão dele]. Ele foi lá duas, três ou quatro vezes, e terminou arrastando-me para cá. Eu não queria.
Não teve problema de adaptação. Preferia continuar lá, porque aqui estou dando trabalho, ocupo espaço, consumo, como, bebo.
Aqui a ordem foi que não preciso trabalhar. O que posso ajudar, faço. Limpar, varrer embaixo dessas mangueiras.
Amanheceu o dia faço o que é possível, depois pego os papéis. O fundamental é o diário. As minipáginas faço o que posso. Aqui não tem muita necessidade delas. Lá precisava para dar a quem me desse alguma coisa, tenho a necessidade moral de retribuir com qualquer coisinha.
Não me considero escritor, mas uma pessoa que sabe gastar papel. Não ganhei um centavo à custa do que escrevi. Tentei. O mundo editorial não pôde pagar coisa nenhuma. Publicar não quero.
Não sei coisa nenhuma o que fazer da vida. Escrever, enquanto eu puder, vou escrever.
Publicidade
CARLA GUIMARÃES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM GOIÂNIA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM GOIÂNIA
O "poeta das ruas" de São Paulo, Raimundo Sobrinho, 74, passou 20 anos no canteiro central da avenida Pedroso Morais, zona oeste. Em dezembro de 2005, a Folha contou sua história.
Há um ano, ele foi encontrado pelo irmão --graças a ajuda de uma publicitária que se sensibilizou com sua história-- e levado para morar em Goiânia com a família. Entre lacunas e imprecisões, o poeta conta sua trajetória.
*
Os documentos dizem Raimundo Arruda Sobrinho, nascido em 1º de agosto de 1938, na fazenda Sol Ferino, em Porto do Sítio [atual Goiatins, norte do TO].
Meu pai era vaqueiro. Nascido e criado na zona rural, fui levado aos 16 anos para a cidade, me entregaram para o prefeito, para educar.
De agosto de 1954 a janeiro de 1961 morei com o prefeito. Ia no período das aulas e passava férias em casa.
Em 1960 fui reprovado na segunda série ginasial, me desgostei e fui para São Paulo --cheguei em 10 de janeiro de 1961. Um conhecido me arranjou a passagem.
Fui procurá-lo [o conhecido] na Vila Madalena, num cortiço de madeira. Amanheceu e já fui trabalhar de jardineiro.
Em 1974 houve um desgosto qualquer, abandonei o jardim e fui vender livro velho pelas calçadas. Passava semana sem vender um. Não ganhei nem mais para alimentação.
Dois anos depois estive internado na psiquiatria do Hospital das Clínicas. Muita gente diz: "Tu não sabe o que é um hospital psiquiátrico".
Memórias do canteiro central
Ver em tamanho maior »
Em dezembro de 2005, no canteiro central da avenida Pedroso de
Morais, Raimundo Sobrinho, hoje com 74 anos, escreve em seus cadernos poemas
abstratos que dava para as pessoas
Tive 14 endereços até 1978. Morei num quarto e cozinha sem luxo, mas asseado, onde ficou tudo que é meu.
Quando me fizeram abandonar a casa em que eu morava, em 29 de abril de 1978, comecei a dormir pelas ruas.
Ali me reconheci vítima de violação de direitos humanos. Procurei consulados, ninguém prestou atenção.
Sem dinheiro para nada, decidi em 1980 tentar ir para a Argentina. Fui até onde disseram que era Uruguaiana (RS). Cheguei em julho de 1980. Alegaram falta de documento...
Em outubro tentei o Paraguai. Cheguei num dia, no outro fui preso. Passei três dias na cadeia. O cônsul brasileiro me retirou. Deixaram-me onde disseram ser Foz do Iguaçu. Ali fui servente de pedreiro.
No Uruguai. entrei mas não pude ficar. As autoridades e eu nos desentendemos.
Voltei a São Paulo em 1983. Estive no Morumbi, Jardim Paulista, Ibirapuera. Em 1985 fui para a av. Amarílis, onde vivi até junho de 1989.
Numa madrugada chegou um carro cheio de rapazes, acordaram-me e ameaçaram-me. Na rua das Amoreiras fui apedrejado. Não mataram porque não quiseram.
Ficava num local enquanto podia. Havia demonstração de desapreço, me afastava.
Ali [canteiro central da Pedroso de Morais] cheguei era 27 de outubro de 1993. Vivia debaixo de plástico, noite e dia cercado por assaltantes.
Em 1986, em novembro, nasceu o atual diário --diário de uma vítima de violação de direitos humanos.
As mínipáginas não me lembro bem, mas nasceram nesse período. Tudo que escrevo assino, dato e localizo. O público dava os papéis.
A produção é reduzida. Se a pessoa chegasse e eu tivesse minipágina, dava. Se não tivesse, prometia, fazia e guardava à espera da pessoa.
Além delas tem os caderninhos. A capa é feita de papel de embrulho. Fiz centenas.
O barulho dos automóveis não alterava para escrever, só a má iluminação. Qualquer hora escrevia, até debaixo de chuva. Arranjava um plástico, sentava numa lata de 18 litros e continuava trabalhando.
Tem coisas nos meus escritos que considero de valor científico. Chegou um ponto que deixei de assinar meu nome, para assinar o pseudônimo "O Condicionado". Não me lembro a partir de quando. Comecei a ouvir "o condicionado". Descobri que era eu.
Em 1986 veio um pessoal que disse ser do programa Flávio Cavalcanti [então transmitido pelo SBT], me entrevistaram e perguntaram se poderia ir ao programa. Trouxeram a mulher do Antônio Souza Porto [ex-prefeito de Goiatins] e o filho dela.
Do programa me levaram para um hotel. No outro dia me arrastaram até Goiânia. Eu não queria vir. Passei um mês e voltei para o mesmo local que vivia, no Morumbi.
ADAPTAÇÃO
Desta vez disseram que foi com essa instituição dos celulares que me localizaram. Envolveu uma jovem que começou a frequentar o local que eu vivia [a publicitária Shalla Monteiro].
Disseram que ela se comunicou com o Francisco [Arruda, irmão dele]. Ele foi lá duas, três ou quatro vezes, e terminou arrastando-me para cá. Eu não queria.
Não teve problema de adaptação. Preferia continuar lá, porque aqui estou dando trabalho, ocupo espaço, consumo, como, bebo.
Aqui a ordem foi que não preciso trabalhar. O que posso ajudar, faço. Limpar, varrer embaixo dessas mangueiras.
Amanheceu o dia faço o que é possível, depois pego os papéis. O fundamental é o diário. As minipáginas faço o que posso. Aqui não tem muita necessidade delas. Lá precisava para dar a quem me desse alguma coisa, tenho a necessidade moral de retribuir com qualquer coisinha.
Não me considero escritor, mas uma pessoa que sabe gastar papel. Não ganhei um centavo à custa do que escrevi. Tentei. O mundo editorial não pôde pagar coisa nenhuma. Publicar não quero.
Não sei coisa nenhuma o que fazer da vida. Escrever, enquanto eu puder, vou escrever.
Assinar:
Comentários (Atom)
.jpg)











